Behavior, Social Justice

The thing I love today: Coherence / A coisa que amo hoje: Coerência

(Para Português vide post logo mais abaixo)

 

Hypocrisy

 

As much as I disagree with many people’s point of view, I do have some sort of respect for individuals who act in accordance with what they preach. However, it is so rare to find coherence out there. Maybe because it is “cool” to show activism in a world in which advocacy became so trendy (even if you don’t mean it). Also, in a social-media-driven world and increasingly competitive work environments, propagating engagement and commitment to a cause seems nothing but a necessity in order to be considered “normal” and indispensable. But, oh, how much repugnance I feel about hypocrisy and how sad I am for noticing its pervasiveness.

 

For whomever out there who is reading this piece, here it goes a humble advice: please (I mean please) stop doing it if you don’t genuinely mean it. You are embarrassing yourself and losing the respect of serious people. Stop preaching about how much you want to: save the children in danger; protect minorities, save Africa from hunger; put an end to persistent wars; save all standing trees; show how “engaged” you are with the universal human rights… The truth is, we cannot be candidly engaged with human rights if we cannot respect even the basic rights of humans who are just a few inches away from us. We cannot save the world if we cannot save ourselves first. We cannot be in a room vividly advocating for human rights and deliberately ignoring some people’s presence and their right to be seen/heard. We cannot write an entire book about being a good human being or praising important values if we humiliate people with whom we interact. We cannot reach the crowd if we don’t know how to reach who is just by our side and, consequently, we cannot reach those nearby if we are incapable to reach our inner-selves and perform necessary changes.

 

I wonder why there are such an inconvenient number of people who do this so often. Perhaps the answer lies in the fact that it is much easier to deal with the invisible than with what is just looking at us (or with what is inside us). Most of the times we fail in our in-person interactions. Thus, dealing with what we don’t see brings us the feeling of accomplishment. Shame on us!

 

My conclusions are: before trying to “save the world” out there, make an effort to save your own space first and, by doing so, you’ll probably contribute to make the world a much better place to live in for – at least – those who are around the corner.

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A coisa que amo hoje: Coerência

Hipocrisia

Por mais que eu discorde com o ponto de vista de muitas pessoas, eu tenho um certo grau de respeito por aquelas que agem de acordo com o que pregam. Entretanto, é tão raro encontrar coerência por aí. Talvez porque seja “maneiro” mostar ativismo em um mundo onde isto se tornou tão na moda (mesmo que as intenções não reflitam as palavras). Outra razão pode ser o fato de que viver neste mundo tão dominado pelas redes sociais e competições pelo mercado de trabalho, propagar compromisso e luta com uma causa parece nada menos que a coisa certa a fazer já que, assim, a pessoa pode causar a impressão de “normalidade” e indispensabilidade. Mas, ahhh, como eu repugno a hipocrisia e como me entristeço por perceber a sua onipresença.

 

Para quem quer que esteja lendo este material, aqui vai um humilde conselho: por favor pare de espalhar aquilo que você não é ou o que não possui as reais intenções em realizar. Ao fazê-lo, você se ridiculariza e perde o respeito de pessoas sérias. Pare de pregar o quanto você gostaria de: salvar as criancinhas em perigo; apoiar as minorias; acabar com a fome na África; acabar com as guerras sem fim; proteger as florestas; mostrar o quão engajada(o) é com as questões de direitos humanos universais… A verdade é que não conseguimos ser genuinamente comprometidas(os) com os direitos humanos se não conseguirmos respeitar nem mesmo os direitos básicos daquelas(es) que estão a algumas polegadas de distância de nós. Não conseguimos salvar o mundo se não conseguirmos salvar a nós próprias(os) primeiro. Não podemos fervorosamente defender os direitos humanos numa sala e deliberadamente ignorar a presença de pessoas nesta mesma sala, assim como o seu direito de serem vistas e ouvidas. Não podemos escrever um livro sobre os bons comportamentos ou a exaltação dos grandes valores humanos se se humilha aqueles com quem interagimos. Não podemos chegar à multidão se não sabemos como chegar àquelas(les) que estão ao nosso lado e, conseguintemente, não podemos alcançar àquelas(les) ao nosso lado se formos incapazes de chegar à nossa própria intimidade e promover as mudanças necessárias.

 

Eu me questiono porque um número tão desconcertante de pessoas faz isto tão frequentemente. Quiçá a resposta seja o fato de que é muito mais fácil lidar com o invisível que com aquilo que nos fita os olhos (ou com aquilo que está dentro de nós). Não raro falhamos em nossas interações pessoais. Assim, lidar com o que não vemos nos dá uma sensação de trabalho bem-sucedido. Que vergonha!

 

Minhas conclusões são: antes de tentar “salvar o mundo” lá fora, faça inicialmente um esforço para “salvar” o seu próprio espaço. Agindo assim, você provavelmente estará contribuindo para um mundo melhor para – pelo menos – aqueles ao seu redor.

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Behavior

The thing I love today: A little bit of failure (para português, vide post mais abaixo)

 

Success

 

One might think I am sick or on drugs for bringing “failure” as the thing I love today, but let me clarify upfront that I am perfectly sane and totally conscious of what I am saying.

I pay very close attention to people’s behavior – actually, reading people is something I am very good at and I wonder why I haven’t followed this professional track – and it amazes me to see how perpetual success tends to make people arrogant and too proud of themselves. It is like if they could be shielded or immune to any sort of misfortune, which leads them to feel like special beings.

Anyone who has been exposed to at least a little bit of world history studies knows that two giant characters of the past were so intoxicated by the series of successes they achieved that they looked at themselves as holders of divine powers so they believed they could unstoppably do and get anything they wanted. These two characters, infused with their inner sense of superiority and taking advantage of the incredible power they got in hands, changed/marked history in a profound and painful way. The balance: vast territories were conquered by force and millions of lives were taken until the day these two men found themselves on the common ground of failure, something they did not know how to deal with as their past experiences with perennial success blinded them.

It is obvious that not everyone who experiences a sequence of absolute success in their lives become tyrants, but chances are that they are going to consider themselves better than other people, unique creatures, and beings who deserve exclusive VIP treatment simply because they are “successful”.

Do not take me wrong. I think everyone deserves their dose of success, after all accomplishments are essential in encouraging people to get up in the morning. But failure is a central life ingredient too, whose importance we tend to underestimate. It makes us humans like any other; It makes us aware of the fact that – by losing – we sometimes give someone else the chance to win; It makes us sympathetic with people’s pain and failures; It makes us see life as this roller coaster that sometimes puts us on the top, but it also takes us down eventually.

We should celebrate our successes with humbleness and face our failures with enthusiasm because we need them both to make us actual humans.

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Coisa que amo hoje: Um pouquinho de fracasso

 

Sucesso

 

Quem ler isto pode achar que estou doente ou sob efeito de drogas por trazer o “fracasso” como a coisa que amo hoje, mas permitam-me esclarecer que estou perfeitamente cônscia do que estou dizendo.

Eu presto bastante atenção no comportamento das pessoas – aliás, avaliação comportamental é algo em que sou muito boa e até me pergunto porque não segui este campo profissional – e me impressiona ver como o sucesso constante tende a deixar as pessoas arrogantes e demasiado orgulhosas. É como se elas fossem blindadas e imunes a qualquer tipo de má sorte, o que as leva a pensar que são seres especiais.

Qualquer pessoa que tiver sido exposta a pelo menos um pouco do estudo da história mundial sabe que dois grandes personagens do passado ficaram tão intoxicados pela sequência de sucessos alcançados que eles se viam como detentores de poderes divinos e, portanto, que podiam fazer e conseguir tudo o que quisessem. Estas duas personalidades, inspiradas pelo seu senso de superioridade e tirando vantagem do incrível poder que possuíam nas mãos, mudaram/marcaram a história de maneira profunda e dolorosa. O saldo: grandes áreas territoriais foram conquistadas e milhões de vidas perdidas até o dia em que estes dois homens experimentaram, enfim, o fracasso, algo que eles não sabiam como lidar já que suas experiências pregressas de sucesso absoluto os haviam cegado os olhos.

Claro que nem todo mundo que experimenta uma sequência de sucesso em sua vida se torna um tirano, mas há uma grande chance de ela/ele se sentir uma pessoa melhor que os outros, uma criatura especial e alguém que merece um tratamento VIP pelo simples fato de ela ser “bem-sucedida”.

Não me julguem incorretamente. Eu acho que todos nós merecemos nossa dose de sucesso, afinal de contas é ele que nos estimula a levantar da cama todos os dias. Mas o insucesso (a falha, a perda – como quiserem descrever) é um componente central das nossas vidas também e que geralmente subestimamos a sua importância. Ele nos iguala a qualquer outro ser humano; Ele nos alerta para o fato de que, ao perdermos, muitas vezes damos ao outro a chance de ganhar; Ele nos faz sentir empatia pela dor e fracasso alheios; Ele nos faz ver a vida como uma montanha russa em que às vezes estamos no topo, mas eventualmente descemos à base.

Devemos celebrar os nossos sucessos com humildade e encarar os nossos fracassos com entusiasmo pois a humanidade precisa de ambos para que se torne – de fato – humana.

blogthingsilove@yahoo.com

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Behavior, Social Justice

The thing I love today: Justice / Coisa que amo hoje: Justiça

The gang-rape case in Rio de Janeiro and the Pakistani parliament

The planet earth was fortunate to host important spiritual leaders throughout its long journey of around 4,5 billion years. Detached from any religious standpoint, I would like to bring an opening remark with a saying of one of them as he is the “closest” to me in terms of upbringing and energetic connection. However, I’m sure I could easily use any other example coming from another sacred leader as it would have the very same intention. Anyway, it is reported that Jesus taught us that if someone hits us on one cheek, the ideal response is to offer the other one as a sign of goodness, forgiveness and as a way to stop the violence chain: if we respond violence with violence we perpetuate a web of aggressions and discord, which is true.

Being capable to genuinely act under this teaching is – perhaps – the ultimate stage of benevolence and spiritual evolution one can achieve and I must acknowledge how much road I still have to go in order to get a little close to that*. Not that I tend to respond violence with equally violent attitudes, but I become so outraged with injustice that it poisons and corrodes my soul as acid rain to the point that it suffocates me.

What happened in Rio de Janeiro – which unfortunately is an illustration of what happens in a daily basis in many corners of the world and we just don’t know about it, or know and don’t give much attention, such as the horrible cases in India and all the captive women under the control of ISIS and Boko Haram terrorist groups – represents the worst of human beings. This week, around 30 men doped up and gang-raped an adolescent of 16 years old in Rio de Janeiro. If the coward and barbarian act weren’t enough, they also posted a video and images of the grotesque scene on the social media with disturbing comments. What is equally horrifying, terrifying, paralyzing, tormenting and worrisome (sorry, I can’t find enough adjectives) is the fact that this post received many “likes”, support notes and some people even expressed amusement through smiling expressions at the images and comments. I am trying to make myself believe they didn’t understand this was a real thing as a way to “alleviate” my consternation.

I must admit that what I write here is mostly based on what the media and my friends reported to me after their own investigation because after reading a small news piece I refused to go in depth of it, most especially to see this infamous video and images (which I hope is already out of the internet).

Right after this utterly disturbing news, I hear that the Pakistani parliament is working to pass a bill that will allow men to beat their wives. They claim this “right” for women’s disobedience and refusal to have sex (!!).

I honestly ask myself what went wrong with mankind (with noble exceptions, of course). And the gender issue depicted here is just one fraction of all the problems human beings have been causing in all spheres. When I recall what Jesus said is because I simply can’t look at these evil perpetrators and offer my other cheek. It is very important to note that I don’t tend to respond aggression with violence, but I hope and claim for justice on behalf of this helpless teenager and of all women out there who are subjugated in a daily basis as a result of a sexist, patriarchal and phallocentric society. I have no doubt Jesus’ teachings are all about justice as well and not just goodness (a much better justice, but one we – perhaps – can’t fully comprehend).

Enough of feeling that being born as a woman is a punishment. Punishment for what, exactly?

*It is highly important to clarify that my intention in this blog entry is definitely NOT to make an apology or incitement to violent reactions, but purely to justice as the feeling and certainty of impunity is exactly what motivates gangs and groups like these to act so fearless and boldness.

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O estupro coletivo no Rio de janeiro e o parlamento paquistanês

O planeta terra teve a sorte de abrigar em seu seio, líderes espirituais importantes ao longo da sua longa jornada de mais ou menos 4,5 bilhões de anos. Desapegada de qualquer ponto de vista religioso, eu gostaria de começar este material trazendo o ensinamento de um deles já que é o que mais se “aproxima” de mim em termos de criação e conexão energética. Entretanto, estou certa de que poderia utilizar qualquer outro exemplo vindo de outro líder sagrado considerando que teria exatamente a mesma intenção. Enfim, nos é reportado que Jesus ensinou que se alguém bate em nossa face, a resposta ideal é oferecer o outro lado da face como sinal de mansidão, perdão e como forma de bloquear a cadeia de violência: se respondemos a violência com violência perpetuamos uma rede de agressões e discórdia, o que é verdade.

Atuar genuinamente sob estes ensinamentos é – talvez – o mais alto estágio de benevolência e evolução espiritual que se pode atingir e preciso admitir quanto chão ainda preciso percorrer para chegar um pouquinho que seja mais perto disto*. Não que eu tenha o hábito de responder violência com atitudes igualmente violentas, mas eu fico tão ultrajada com injustiça que ela envenena e corrói a minha alma como chuva ácida ao ponto de me sufocar.

O que aconteceu no Rio de janeiro – e que infelizmente é uma ilustração do que acontece diariamente nos diferentes cantos do mundo e simplesmente não ficamos sabendo, ou sabemos e não damos tanta atenção, como os casos terríveis na Índia e todas as mulheres aprisionadas pelos grupos terroristas ISIS e Boko Haram – representa o pior do ser humano. Nesta semana, por volta de 30 homens doparam e estupraram coletivamente uma adolescente de 16 anos. Como se não bastasse o ato bárbaro e covarde, eles postaram um vídeo e imagens da cena grotesca nas redes sociais com comentários que são peculiares de criaturas humanas desta estirpe. O que é igualmente terrível, assustador, paralisador, atormentador e preocupante (desculpem-me, mas não consigo achar adjetivos suficientes) é o fato desta postagem ter recebido várias “curtidas”, das notas de apoio e de algumas pessoas terem expressado “carinhas” de satisfação às imagens e comentários. Eu procuro acreditar que estas pessoas não entenderam que se tratava de um caso real, como forma de “aliviar” minha consternação.

Preciso admitir que o que escrevo aqui é basicamente baseado no que vi na mídia e pelo que alguns amigos meus reportaram após suas investigações, pois após ler uma pequena matéria de jornal eu me recusei a seguir adiante, mais especialmente em ver este infame vídeo e imagens (o que espero que já tenham retirado da rede).

Logo após este acontecimento perturbador, ouço que o parlamento paquistanês está trabalhando em um projeto de lei que permite que homens batam em suas mulheres. Eles alegam este direito face à desobediência e recusa ao sexo por parte de suas esposas (!!).

Honestamente eu me pergunto o que deu errado com a humanidade (com nobres exceções, é claro). E a problemática de gênero retratada aqui é apenas uma fração de todos os problemas que os seres humanos têm causado em todas as esferas. Quando busco lá atrás o que Jesus disse é porque eu simplesmente não consigo olhar estes perpetradores do mal e oferecer minha outra face. Eu não respondo agressão com violência (importante ressaltar que falo de um ponto de vista passivo aos exemplos acima mencionados), mas espero e clamo por justiça em nome desta indefesa adolescente e em nome de todas as mulheres que vivem em condição subjugada como resultado de uma sociedade machista, patriarcal e falocêntrica. Não tenho a menor dúvida de que os ensinamentos de Jesus têm tudo a ver com justiça também e não apenas mansidão – uma justiça muito melhor, mas que certamente ainda não conseguimos entender por completo.

Não quero mais pensar que nascer mulher é um castigo. Castigo pelo quê, exatamente?

*É importantíssimo esclarecer que minha intenção aqui NÃO é fazer uma apologia ou incitamento a reações violentas, mas puramente à justiça já que o sentimento e a certeza de impunidade são exatamente o que motiva grupos como este a agirem de forma tão destemida e com tamanha ousadia.

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Behavior

The thing I love today: Positive Changes / Coisa que amo hoje: Mudanças positivas

Consistency

Not so long ago, an acquaintance of mine said the “thousandth” NO to a simple request I made. And he added: “at least I am consistent”. He seemed so proud of himself after saying it as if unchanging principles were necessarily a good thing. All I said back was that still water may cause slime. Consistency does mean regularity in the application of something, but it does not mean a positive thing all the time. Of course it can also be associated with reliability and conformity and one has to assess the situation to make a proper judgment, but being someone so pro advancements as I am, I tend to look at changing in a very positive way.

All I could say to this person was that, sometimes, inconsistency is mandatory so we won’t persist in errors. I also added that the world has been witnessing stupidity being repeated again and again exactly because mankind refuses to “switch their command buttons”. Some of us keep insisting on the same mistakes for millennia just for the sake of “being consistent”. Allowing oneself to change can be one of the greatest steps toward self-improvement and it is a humble act of acknowledgement of how tiny we are and how little we know.

I hope I’ll be alive in the day we are going to get rid of these old habits’ cage and accept that reshaping our mindset is good for ourselves and everyone around us. I very much want to witness that.

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Consistência

Há pouco tempo, um conhecido meu pronunciou seu milésimo “NÃO” para um simples pedido meu, acrescentando à sua fala: “pelo menos eu sou consistente”. Ele parecia tão orgulhoso de si próprio ao dizer isto como se princípios imutáveis fossem necessariamente uma coisa boa. Tudo o que lhe repliquei foi que água parada pode causar limo. Consistência quer dizer regularidade na aplicação de algo, mas não significa algo positivo o tempo todo. É claro que ela pode estar associada com credibilidade e conformidade e deve-se avaliar a situação para um julgamento apropriado, mas sendo alguém tão a favor do progresso, eu tendo a olhar para as mudanças de uma forma bem positiva.

Tudo o que pude dizer a esta pessoa foi que, às vezes, a inconsistência é obrigatória para que não persistamos em erros. Eu também acrescentei que o mundo tem testemunhado a estupidez se repetir sem parar exatamente porque a humanidade se recusa a “mudar seus botões de comando”. Alguns de nós continuam insistindo nos mesmos erros por milênios apenas porque precisam que “ser consistentes”. Permitir-se mudar pode ser um dos mais importantes passos em direção ao auto-aperfeiçoamento e é um ato humilde de reconhecimento da nossa pequenez e do quão pouco sabemos.

Espero estar viva no dia em que nos despiremos das jaulas dos velhos hábitos e aceitaremos que reformular a nossa mentalidade faz bem para nós próprios e para todos ao nosso redor. Seria bom testemunhar isto.

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Others, Traveling

The thing I love today: New York City / Coisa que amo hoje: Cidade de Nova York

 

I treasure many spots in the world, but there is no place like New York City to me. It encapsulates all the things I truly love and, even if I named an endless list of reasons here, it wouldn’t make justice to what I feel for it. If there is one thing I have learned in life is that we cannot talk about feelings in a straightforward way. We can only sense them (chances are one may not – and certainly won’t – understand it). And this is why my spiritual connection with this city can only be understood from my inside.

Its multiculturalism, its colors, its scents, its languages, its shapes, its flavors, its religious diversities, its architecture, its efficient public transportation, its peculiarities, the fact that you never feel like a stranger there, and everything else are the perfect translation for what’s called “a melting pot”.

As incredible as it might seem, it is perfectly possible to find peace and silence in the city known by its persistent noise. Just as easy as going to the Central Park for a sunbath or to witness the Fall leaves coming down the trees, while squirrels chase their nuts. It is also the place to: Delight a Levain Bakery walnut chocolate chip cookie, or an Au Bon Pain macadamia cookie while wandering among the townhouses; Spend an entire day getting “overwhelmed” by the Metropolitan Museum of Art’s richness, or by the MoMA’s, or by the Guggenheim’s, or by the American Museum of Natural History’s (or by any one of the “thousand” museums in the city); Cry in a show/opera at the Lincoln Center; Smile with the Rockettes show at the Radio City Hall Christmas Spectacular; Get mesmerized by the Times Square lights; Cross the Brooklyn Bridge by foot and admire Manhattan island from the Brooklyn neighborhood; Admire the most beautiful tower ever built (in my opinion, of course), which is the Chrysler Building; Eat one of the water-mouthing Crumbs cupcakes (I always go for the red velvet or the “good guy”); Walk along my beloved Columbia University main campus and get the Alma Mater’s grace; Walk throughout Perry Street in the Greenwich Village, my favorite street in the entire city; Enjoy the charming Flatiron Building area; Lost time track at the 5th Avenue, or at the Madison Avenue, or Soho, or Little Italy, or Chelsea, or the High-Line; Enjoy a brunch in a late Saturday/Sunday morning… these are just samples of how happy this city makes me feel.

Home. This is the word I would pick to best describe NYC. Every time I land there, I hear the city whispering in my ears: “welcome back home”.

And I leave you with some images* that show a little of its colors, beauty and uniqueness. Enjoy it!

*They’re all my credits.

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NYC Panoramic2

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Eu me encanto por vários lugares no mundo, mas não há nenhum que se compare a Nova York pra mim. Ela compreende todas as coisas que amo de verdade e, mesmo que eu elencasse aqui uma lista interminável de razões, ainda assim não faria justiça ao que sinto por ela. Se há uma coisa que aprendi na vida é que não conseguimos falar claramente de sentimentos. Como o proprio nome já diz, só dá pra senti-los (há muita chance de o interlocutor não entender). E é assim que minha conexão espiritual com a cidade pode ser entendida: das minhas entranhas.

Seu multiculturalismo, suas cores, seus aromas, suas línguas, suas formas, seus sabores, suas diversidades religiosas, sua arquitetura, seu transporte público eficiente, o fato de nunca nos sentirmos um estranho lá, suas peculiaridades e tudo o que lá se encontra são a tradução perfeita para o termo melting pot.

Por incrível que pareça, é perfeitamente possível encontrar paz e silêncio na cidade conhecida pelo seu barulho. Basta ir ao Central Park para um banho de sol ou testemunhar as folhas do outono caindo das árvores enquanto os esquilos caçam suas castanhas. É também o lugar para: Se deliciar com um cookie de nozes e gotas de chocolate da Levain Bakery, ou um de macadâmia da Au Bon Pain enquanto se vagueia pelas charmosas townhouses; Passar uma tarde inteira sendo “sobrecarregada(o)” pela riqueza do museu Metropolitan, ou do MoMA, ou do Guggenheim, ou do Museu de História Natural (ou por qualquer um dos “milhares” de museus da cidade); Chorar em um show/ópera no Lincoln Center; Sorrir com o show das Rockettes no especial de Natal do Radio City Hall; Hipnotizar-se pelas luzes da Times Square; Cruzar a ponte do Brooklyn a pé e a admirar a ilha de Manhattan pelo outro lado; Admirar o mais lindo prédio já construído (na minha opinião, é claro), que é o edifício Chrysler; Comer um dos deliciosos cupcakes da Crumbs (sempre peço o de red velvet e o “good guy”); Andar pela área da minha querida Universidade Columbia e receber as graças da Alma Mater; Andar pela Perry Street no Greenwich Village, minha rua favorita na cidade; Curtir a charmosa área do prédio Flatiron; Perder a noção do tempo pela 5ª Avenida, ou Avenida Madison, ou Soho, ou Little Italy, ou Chelsea, ou no High-Line; Curtir um brunch no final da manhã de um sábado ou domingo… estas são apenas amostras do quão feliz esta cidade me faz.

Lar. Esta é a palavra que eu escolheria para melhor descrever Nova York. Cada vez que aterrisso lá, ouço a cidade sussurrar no meu ouvido: “bem vinda de volta a casa”.

E os deixo aqui com algumas imagens* que mostram um pouco das suas cores, beleza e singularidade. Aproveitem!

*Todas de minha autoria

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The thing I love today: Commonsense / Coisa que amo hoje: Bom Senso

Shocking Statistics

I made this entry at my previous blog a couple of years ago and – although the data has certainly changed (for worse, unfortunately) – I find the subject so prevailing and recurrent, that I decided to bring it here with no additional research or any changes in the writings. Here it goes:

Sometimes, statistics numbers shock me so utterly that I ask myself how can they even be credible. The ones bellow come from the book An Introduction to Sustainable Development and are – perhaps – the most striking ones I have ever read. When I take into consideration that those data are from 2006 and that the current reality might be much worse, I could not help but feeling myself hopeless.

When I read it for the first time, I came to the realization that addressing the world extreme poverty problems – although complex – can be, indeed, a feasible task if important actors such as Governments, Private Companies, NGOs, International Organizations and Civil Society channeled joint efforts as well as funds towards basic human needs.

Here are the numbers and I leave them without further comments, because they speak for themselves. I would just recommend us to post this on an easy access wall so we can check them out every chance we get (preferably everyday), otherwise we might forget them.

The book authors say the following of facts about poverty and global priorities spending, and I quote:

  • Today across the world 1.3 billion people live on less than one dollar/day; 3 billion (half the world population*) live on less than two dollars/day; 1.3 billion people have no access to clean water; 2 billion have no access to electricity; and 3 billion have no access to sanitation.
  • Also today consider the following as global priorities in spending:

Items of Expenditure

Annual Spending US$ billion
Cosmetics in the US 8
Perfumes in Europe and the US 12
Ice cream in Europe 12
Pet foods in Europe and the US 17
Business entertainment in Japan 35
Cigarettes in Europe 50
Alcoholic drinks in Europe 105
Narcotic drugs in the world 400
Military spending, global 780
  • And yet some of the basic needs of poor humanity, the cost of which are as follows:
Annual Estimate Cost in US$ billion
Basic education for all 6
Water and sanitation for all 9
Basic health and nutrition for everyone 13
Reproductive health for all women in the world 12

Sources: Anup Shah (2006)

         ”

*Take into consideration, this was written in 2006.

Source: An Introduction to Sustainable Development. Authors: Peter P Rogers, Kazi F Jalal & John A Boyd, 2008.

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Estatísticas que chocam

Eu publiquei este texto há poucos anos no meu blog anterior e – apesar de os dados terem certamente mudado (pra pior, infelizmente) – acho que o tema é tão atual e recorrente que decidi trazê-lo aqui sem pesquisas adicionais ou quaisquer alterações no material:

Por vezes, os números estatísticos me chocam tão profundamente que eu me pergunto como que eles podem ser verossímeis. Os que trago abaixo partiram de um livro chamado “Introdução ao Desenvolvimento Sustentável” (em tradução livre) e são – talvez – os mais impressionantes que já vi. Quando levo em consideração que estes dados são de 2006 e que a realidade atual pode ser muito pior, não posso evitar um sentimento preponderante de desesperança.

Quando li isto pela primeira vez eu cheguei a conclusão de que endereçar os problemas mundiais de pobreza extrema – apesar de complexa – pode, sim, ser uma tarefa factível se atores importantes como Governo, Empresas Privadas, ONGs, Organizações Internacionais e a Sociedade Civil canalizassem esforços conjuntos, bem como fundos em prol das necessidades humanas básicas.

 Aqui estão os números e os deixo sem comentários adicionais, pois eles falam por si só. Eu apenas recomendaria que os colocássemos em local visível para que pudéssemos vê-los com frequência (preferencialmente todos os dias). Do contrário, podemos correr o risco de nos esquecer deles.

Os autores dizem o seguinte de fatos sobre a pobreza e a prioridade dos gastos globais:

  • Hoje, 1,3 bilhão de pessoas ao redor do mundo vive com menos de um dólar ao dia; 3 bilhões (metade da população mundial*) vivem com menos de dois dólares ao dia; 1,3 bilhão não possui acesso a água limpa; 2 bilhões não possuem acesso a eletricidade; e 3 bilhões não possuem acesso à saneamento básico
  • Hoje também se considera o seguinte como prioridade global dos gastos:

Item

Gasto anual em U$ bi
Cosméticos nos EUA 8
Perfumes na Europa e EUA 12
Sorvetes na Europa 12
Ração animal na Europa e EUA 17
Negócios de entretenimento no Japão 35
Cigarros na Europa 50
Bebida Alcoólica na Europa 105
Drogas Narcóticas no mundo 400
Gastos Militares globais 780

E a seguir podemos visualizar o custo estimado para cobrir algumas das necessidades básicas da humanidade:

Custo anual estimado em U$ bi
Educação básica para todos 6
Água limpa e saneamento para todos 9
Saúde básica e nutrição adequada para todos 13
Acesso à saúde reprodutiva para todas as mulheres no mundo 12

Fonte: Anup Shah (2006)

*Levar em consideração que isto foi escrito em 2006

Fonte principal: livro Introdução ao Desenvolvimento Sustentável. Autores: Peter P. Rogers, Kazi F. Jalal & John A. Boyd, 2008

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The thing I love today: Tolerance and Respect for Differences / Coisa que amo hoje: Tolerância e Respeito pelas Diferenças

Recent Terrorist Attacks

We have been bombarded by the terrorism news since a long while, but every new episode seems to cause the very same dismay and powerless feeling. What I don’t understand is why some of them get more media’s – as well as world community’s – attention, importance and consternation than others. I am not suggesting that those that get more audience should have less. I am just trying to figure out why we tend to “value” some in a higher extent. Would it be the city where it happens? Would it be the type of society hit by it? Would it be due to a personal connection? Would certain people suffer less than others? Would pain have different meaning for different people?

December 16th, 2014: Peshawar school, in Pakistan, is a victim of a terrorist attack, leaving 141 dead, 132 of them children.

January 7th, 2015: office of the Charlie Hebdo magazine, France, is attacked by 3 terrorists, leaving 12 dead.

Sympathies aside, it is possible that some people have not heard of the first happening in Pakistan, reinforcing my concerns.

Nothing justifies a terrorist attack, regardless its magnitude. What happened in these two episodes, as well as all the others that happen every single day around the globe, should be repudiated by all means. All the worldwide support Charlie Hebdo magazine has been receiving is touching and it shows that – perhaps – there are more people out there willing to defend a non-violent society than those who perpetrate violence.

One thing that I would like to bring here regarding the whole Charlie Hebdo happening is the following: as heinous as the events are (and there is no shadow of doubts they really are), it bothers me to see the interpretation society gives to freedom of speech and freedom of expression. Freedom implies responsibility and – in my point of view – the respect for differences should come first than my right to say or do whatever I feel like. Let me explain:

  1. Brazil recently witnessed some of its Southern people posting deeply offensive things in their facebook pages regarding their Northern countrymen, either because a Southern soccer team lost a match for a Northern one, or because the elected president had a higher support from people in the Northeast. These people were legally tracked and some of them were formally prosecuted;
  2. Saying that a person is not welcomed due to the color of their skin is a crime and will, most certainly, be punished. This is officially called racism;
  3. Homophobia and Anti-Semite expressions are hatred crimes, which are not tolerated by society nowadays

Would one have the right to advocate that these people are just exercising their right of free speech or freedom of expression? Satire can indeed be funny, but to whom? I love satire too, but the problem is when it becomes offensive and disrespectful. The main point is that most of the times we don’t know/realize when it becomes offensive if we are not on the other side of the line. When it comes to people’s creeds, beliefs and faiths this may lead to inflammatory resentment levels. Among other published things by Charlie Hebdo and taking just one cartoon as an example, using the word “shit” while referring to the Quran may sound funny for just a few.

Respecting differences (no matter where they come from) is a way to look for peace in a world so thirsty for wars.

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Ataques Terroristas Recentes

Nós temos sido bombardeados com notícias sobre terrorismo há um bom tempo, mas cada novo episódio parece nos causar os mesmos sentimentos de angústia e de impotência. O que não entendo é por que alguns deles ganham mais atenção importância e consternação por parte da mídia e da sociedade global que outros. Não estou sugerindo que aqueles que ganham mais audiência deveriam ter menos. Apenas tento entender porque tendemos a “valorizar” alguns em maior extensão. Seria por causa da cidade onde os eventos acontecem? Seria pelo tipo de gente atingida? Seria por uma conexão pessoal? Será que algumas pessoas sofrem menos que outras? Teria a dor um significado diferente para povos diferentes?

16 de dezembro de 2014: escola em Peshawar, Paquistão, é vítima de um ataque terrorista, deixando 141 mortos, 132 deles crianças.

7 de janeiro de 2015: escritório da revista Charlie Hebdo, França, é atacada por 3 terroristas, deixando 12 mortos.

Identificações pessoais à parte, é possível que muita gente não tenha nem ouvido falar do acontecimento no Paquistão, reforçando minhas inquietações.

Nada justifica um ataque terrorista, independentemente de sua magnitude. O que aconteceu nestes dois episódios, bem como em todos os outros que acontecem no mundo diariamente, deve ser repudiado em todas as suas formas. Todas as demonstrações de apoio que a revista Charlie Hebdo têm recebido são emocionantes e mostram que – talvez – há mais pessoas capazes de defender uma sociedade livre de violência que aquelas ainda dispostas a perpetrar a violência.

Uma coisa que eu gostaria de trazer aqui com relação a este acontecimento da Charlie Hebdo é o seguinte: por mais hediondo que os eventos sejam (e não há sombra de dúvidas que que eles o são), me incomoda perceber a interpretação que a sociedade dá à liberdade de expressão. Liberdade implica responsabilidade e – no meu ponto de vista – o respeito pelas diferenças deve vir antes do meu direito de falar ou fazer aquilo que eu bem entender. Explico:

  1. O Brasil testemunhou recentemente algumas pessoas do Sudeste postando coisas extremamente ofensivas em suas páginas do facebook com relação aos Nordestinos. Seja porque algum time do Sudeste perdeu o jogo para um daquela região ou porque a presidente eleita tinha apoio da maioria deles, entre outros exemplos. Estas pessoas foram legalmente rastreadas e algumas delas processadas;
  2. Dizer que alguém não é bem-vindo pela cor da sua pele é crime e quem o faz certamente será punido. Isto se chamae racismo;
  3. Expressões de homofobia e antissemitismo são crimes de ódio e não tolerados pela sociedade de hoje.

Será que alguém teria o direito de defender que estas pessoas estão apenas exercendo seu direito de livre expressão? A sátira pode ser, de fato, muito engraçada, mas para quem? Eu adoro as sátiras também, mas o problema é quando elas se tornam ofensivas e desrespeitosas. O ponto de atenção é que na maioria das vezes não sabemos (ou percebemos) quando elas tomam estas proporções se não estivermos do outro lado da linha. Quando se trata da religião, fé e crença das pessoas isto pode levar à níveis de ressentimentos muito inflamatórios. Entre outras coisas publicadas pela Charlie Hebdo e tomando apenas um desenho como exemplo, usar a palavra “merda” para se referir ao Alcorão pode soar engraçado para apenas alguns poucos.

Respeitar as diferenças (não importa de onde elas venham) é uma forma de buscar a paz em um mundo tão sedento por guerras.

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