Behavior, Social Justice

The thing I love today: Justice / Coisa que amo hoje: Justiça

The gang-rape case in Rio de Janeiro and the Pakistani parliament

The planet earth was fortunate to host important spiritual leaders throughout its long journey of around 4,5 billion years. Detached from any religious standpoint, I would like to bring an opening remark with a saying of one of them as he is the “closest” to me in terms of upbringing and energetic connection. However, I’m sure I could easily use any other example coming from another sacred leader as it would have the very same intention. Anyway, it is reported that Jesus taught us that if someone hits us on one cheek, the ideal response is to offer the other one as a sign of goodness, forgiveness and as a way to stop the violence chain: if we respond violence with violence we perpetuate a web of aggressions and discord, which is true.

Being capable to genuinely act under this teaching is – perhaps – the ultimate stage of benevolence and spiritual evolution one can achieve and I must acknowledge how much road I still have to go in order to get a little close to that*. Not that I tend to respond violence with equally violent attitudes, but I become so outraged with injustice that it poisons and corrodes my soul as acid rain to the point that it suffocates me.

What happened in Rio de Janeiro – which unfortunately is an illustration of what happens in a daily basis in many corners of the world and we just don’t know about it, or know and don’t give much attention, such as the horrible cases in India and all the captive women under the control of ISIS and Boko Haram terrorist groups – represents the worst of human beings. This week, around 30 men doped up and gang-raped an adolescent of 16 years old in Rio de Janeiro. If the coward and barbarian act weren’t enough, they also posted a video and images of the grotesque scene on the social media with disturbing comments. What is equally horrifying, terrifying, paralyzing, tormenting and worrisome (sorry, I can’t find enough adjectives) is the fact that this post received many “likes”, support notes and some people even expressed amusement through smiling expressions at the images and comments. I am trying to make myself believe they didn’t understand this was a real thing as a way to “alleviate” my consternation.

I must admit that what I write here is mostly based on what the media and my friends reported to me after their own investigation because after reading a small news piece I refused to go in depth of it, most especially to see this infamous video and images (which I hope is already out of the internet).

Right after this utterly disturbing news, I hear that the Pakistani parliament is working to pass a bill that will allow men to beat their wives. They claim this “right” for women’s disobedience and refusal to have sex (!!).

I honestly ask myself what went wrong with mankind (with noble exceptions, of course). And the gender issue depicted here is just one fraction of all the problems human beings have been causing in all spheres. When I recall what Jesus said is because I simply can’t look at these evil perpetrators and offer my other cheek. It is very important to note that I don’t tend to respond aggression with violence, but I hope and claim for justice on behalf of this helpless teenager and of all women out there who are subjugated in a daily basis as a result of a sexist, patriarchal and phallocentric society. I have no doubt Jesus’ teachings are all about justice as well and not just goodness (a much better justice, but one we – perhaps – can’t fully comprehend).

Enough of feeling that being born as a woman is a punishment. Punishment for what, exactly?

*It is highly important to clarify that my intention in this blog entry is definitely NOT to make an apology or incitement to violent reactions, but purely to justice as the feeling and certainty of impunity is exactly what motivates gangs and groups like these to act so fearless and boldness.

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O estupro coletivo no Rio de janeiro e o parlamento paquistanês

O planeta terra teve a sorte de abrigar em seu seio, líderes espirituais importantes ao longo da sua longa jornada de mais ou menos 4,5 bilhões de anos. Desapegada de qualquer ponto de vista religioso, eu gostaria de começar este material trazendo o ensinamento de um deles já que é o que mais se “aproxima” de mim em termos de criação e conexão energética. Entretanto, estou certa de que poderia utilizar qualquer outro exemplo vindo de outro líder sagrado considerando que teria exatamente a mesma intenção. Enfim, nos é reportado que Jesus ensinou que se alguém bate em nossa face, a resposta ideal é oferecer o outro lado da face como sinal de mansidão, perdão e como forma de bloquear a cadeia de violência: se respondemos a violência com violência perpetuamos uma rede de agressões e discórdia, o que é verdade.

Atuar genuinamente sob estes ensinamentos é – talvez – o mais alto estágio de benevolência e evolução espiritual que se pode atingir e preciso admitir quanto chão ainda preciso percorrer para chegar um pouquinho que seja mais perto disto*. Não que eu tenha o hábito de responder violência com atitudes igualmente violentas, mas eu fico tão ultrajada com injustiça que ela envenena e corrói a minha alma como chuva ácida ao ponto de me sufocar.

O que aconteceu no Rio de janeiro – e que infelizmente é uma ilustração do que acontece diariamente nos diferentes cantos do mundo e simplesmente não ficamos sabendo, ou sabemos e não damos tanta atenção, como os casos terríveis na Índia e todas as mulheres aprisionadas pelos grupos terroristas ISIS e Boko Haram – representa o pior do ser humano. Nesta semana, por volta de 30 homens doparam e estupraram coletivamente uma adolescente de 16 anos. Como se não bastasse o ato bárbaro e covarde, eles postaram um vídeo e imagens da cena grotesca nas redes sociais com comentários que são peculiares de criaturas humanas desta estirpe. O que é igualmente terrível, assustador, paralisador, atormentador e preocupante (desculpem-me, mas não consigo achar adjetivos suficientes) é o fato desta postagem ter recebido várias “curtidas”, das notas de apoio e de algumas pessoas terem expressado “carinhas” de satisfação às imagens e comentários. Eu procuro acreditar que estas pessoas não entenderam que se tratava de um caso real, como forma de “aliviar” minha consternação.

Preciso admitir que o que escrevo aqui é basicamente baseado no que vi na mídia e pelo que alguns amigos meus reportaram após suas investigações, pois após ler uma pequena matéria de jornal eu me recusei a seguir adiante, mais especialmente em ver este infame vídeo e imagens (o que espero que já tenham retirado da rede).

Logo após este acontecimento perturbador, ouço que o parlamento paquistanês está trabalhando em um projeto de lei que permite que homens batam em suas mulheres. Eles alegam este direito face à desobediência e recusa ao sexo por parte de suas esposas (!!).

Honestamente eu me pergunto o que deu errado com a humanidade (com nobres exceções, é claro). E a problemática de gênero retratada aqui é apenas uma fração de todos os problemas que os seres humanos têm causado em todas as esferas. Quando busco lá atrás o que Jesus disse é porque eu simplesmente não consigo olhar estes perpetradores do mal e oferecer minha outra face. Eu não respondo agressão com violência (importante ressaltar que falo de um ponto de vista passivo aos exemplos acima mencionados), mas espero e clamo por justiça em nome desta indefesa adolescente e em nome de todas as mulheres que vivem em condição subjugada como resultado de uma sociedade machista, patriarcal e falocêntrica. Não tenho a menor dúvida de que os ensinamentos de Jesus têm tudo a ver com justiça também e não apenas mansidão – uma justiça muito melhor, mas que certamente ainda não conseguimos entender por completo.

Não quero mais pensar que nascer mulher é um castigo. Castigo pelo quê, exatamente?

*É importantíssimo esclarecer que minha intenção aqui NÃO é fazer uma apologia ou incitamento a reações violentas, mas puramente à justiça já que o sentimento e a certeza de impunidade são exatamente o que motiva grupos como este a agirem de forma tão destemida e com tamanha ousadia.

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